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Mandado de Despejo




Com uma semana de antecedência informei ao réu que se ele não saísse espontaneamente, seria retirado, conforme a Decisão Judicial. O dia marcado chegou e ele ainda estava lá.

Acompanhado pela Polícia Militar, um trator com um carroção e carregadores, fui até a propriedade rural de 10 hectares, comprada há 10 anos, dentro de um todo maior de mais de 250 hectares, cujo pagamento havia sido feito parcialmente, motivo do pedido do autor para a saída compulsória, baseada no contrato efetuado e descumprido. Valor aproximado da dívida: R$ 8.000,00.

No lugar viviam um casal e três filhos, entre 4 e 13 anos. Logo o réu manifesta que não tem para onde ir, mas não demonstra nenhuma resistência, indo com sua familia para baixo de uma árvore acompanhar a desocupação, sua unica reclamação é: "nunca ter sido marcada uma audiência para ele dizer ao Juiz que não estava invadindo aquela terra".


Fazia frio e começava a garoar, a criancinha não podia mais ficar ali. Pedi que a mulher entrasse na viatura para ser levada para a cidade até algum lugar protegido, do que ela recusou.

Como informavam não ter parentes, nem mesmo algum lugar para ir, solicitei a presença da Assistência Social e do Conselho Tutelar do Município.

Logo após a chegada deles, a mulher, desesperada, começa a chorar muito e desmaia. Imediatamente é levada para o Posto de Saúde onde foi medicada.

As crianças choram ao ver a mãe ser levada e a casa sendo esvaziada, cenas que comovem a todos.

Alguns momentos depois, chegam dois familiares que as levam para casa e se propõe a dar abrigo temporário à familia desamparada.

Antes de ir, a menor das crianças pede pelo "biscoito", o gato de estimação, que junto com a cachorrinha, faziam parte da familia. Assustado com a confusão, o felino foi para o mato e eu fui em busca dele. Com muita calma consegui trazer ele de volta para seguir com as pessoas.

Imóvel vazio, autor imitido na posse, vamos embora. Mas há uma dúvida: onde foi parar o réu, sem lar, que saiu em direção ao mato e não voltou... ainda não sei... 
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