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Cobra no caminho



Hoje parti em direção ao interior para intimar um homem cujo nome irei preservar, mas que figura como réu em uma "Maria da Penha" e precisava ser intimado para a audiência. Chegando no bar da comunidade eu perguntei se alguém o conhecia, respostas negativas, então parti para o nome da vítima, começou a melhorar, então quando disse que provavelmente eles teriam brigado, resolvido o enigma, era o filho do @#!%&(apelido engraçado), mora junto ao rio, distante uns 8 km dali, mais uns 3 ou 4 a pé.
Sabendo a direção, fui até aonde o carro conseguiu, lá encontrei dois garotos que estavam trablhando em uma lavoura de fumo, por sorte um deles era irmão do réu e ambos se propuseram a me guiar pela picada existente na mata.
Depois de alguns minutos andando em um lugar inacreditável, pendurado em um morro a dezenas de metros de altura, saímos em uma "estrada" um pouco maior onde passei a caminhar mais tranquilamente quando ouço um grito: "olha a cobra, cuidado !", rapidamente olhei para o chão e ao lado do meu pé havia uma Jararaca, que sabe-se lá por que não me atacou. Instintivamente saltei antes de raciocinar, enquanto os garotos se livravam do bicho. Por mim ela deveria ter ficado viva, mas não haveria possibilidade de convencê-los, afinal, pessoas andam por ali e nós, em seguida, passaríamos novamente na volta.
Passado o susto, caminhamos mais um pouco até chegar à casa do réu, muito distante da sede da Comarca para os padrões deles, acho que para os meus também.
Essa aventura levou a tarde toda, assim, novamente, vários mandados estão engrossando cada vez mais minha pasta, mas eu ainda consigo fechá-la.
Situações como esta são as que tornam diferente a profissão, que para mim é muito gratificante, gosto muita da falta de rotina e de toda a liberdade que nos proporciona. É muito legal ser Oficial de Justiça.
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